terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Regina Coeli, de Cruz e Sousa

Regina Coeli, de Cruz e Sousa.  Em 1881, dirigiu o jornal Tribuna Popular, no qual combateu a escravidão e o preconceito racial. (Wikipedia)
Regina Coeli, de Cruz e Sousa


 REGINA COELI


 Ó Virgem branca, Estrela dos altares,
 Ó Rosa pulcra dos Rosais polares!

 Branca, do alvor das âmbulas sagradas
 E das níveas camélias regeladas.

 Das brancuras de seda sem desmaios
 E da lua de linho em nimbo e raios.

 Regina Coeli das sidéreas flores,
 Hóstia da Extrema-Unção de tantas dores.

 Ave de prata e azul, Ave dos astros...
 Santelmo aceso, a cintilar nos mastros...

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 Gôndola etérea de onde o Sonho emerge...
 Água Lustral que o meu Pecado asperge.

 Bandolim do luar, Campo de giesta,
 Igreja matinal gorjeando em festa.

 Aroma, Cor e Som das Ladainhas
 De Maio e Vinha verde dentre as vinhas.

 Dá-me, através de cânticos, de rezas,
 O Bem, que almas acerbas torna ilesas.

 O Vinho d’ouro, ideal, que purifica
 Das seivas juvenis a força rica.

 Ah! faz surgir, que brote e que floresça
 A Vinha d’ouro e o vinho resplandeça.

 Pela Graça imortal dos teus Reinados
 Que a Vinha os frutos desabroche iriados.

 Que frutos, flores, essa Vinha brote
 Do céu sob o estrelado chamalote.

 Que a luxúria poreje de áureos cachos
 E eu um vinho de sol beba aos riachos.

 Virgem, Regina, Eucaristia, Coeli,
 Vinho é o clarão que ao teu Amor impele.

 Que desabrocha ensangüentadas rosas
 Dentro das naturezas luminosas.

 Ó Regina do Mar! Coeli! Regina!
 Ó Lâmpada das naves do Infinito!
 Todo o Mistério azul desta Surdina
 Vem d’estranhos Missais de um novo Rito!... 

Cruz e Sousa
Broquéis

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