terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Dança do Ventre

Dança do Ventre de Cruz e Sousa. Seus poemas são marcados pela musicalidade (uso constante de aliterações), pelo individualismo, pelo sensualismo, às vezes pelo desespero, às vezes pelo apaziguamento, além de uma obsessão pela cor branca (Wikipedia)
Dança do Ventre de Cruz e Sousa



DANÇA DO VENTRE


 Torva, febril, torcicolosamente,
 Numa espiral de elétricos volteios,
 Na cabeça, nos olhos e nos seios
 Fluíam-lhe os venenos da serpente.

 Ah! que agonia tenebrosa e ardente!
 Que convulsões, que lúbricos anseios,
 Quanta volúpia e quantos bamboleios,
 Que brusco e horrível sensualismo quente.

 O ventre, em pinchos, empinava todo
 Como reptil abjeto sobre o lodo,
 Espolinhando e retorcido em fúria.

 Era a dança macabra e multiforme
 De um verme estranho, colossal, enorme,
 Do demônio sangrento da luxúria! 

Cruz e sousa
Broquéis

Leia também:  Poema Carnal e Místico

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