quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Monja, de Cruz e Sousa


Monja, de Cruz e Sousa. Cruz e Sousa é um dos patronos da Academia Catarinense de Letras, representando a cadeira número 15.

Monja, de Cruz e Sousa

MONJA


 Ó Lua, Lua triste, amargurada,
 Fantasma de brancuras vaporosas,
 A tua nívea luz ciliciada
 Faz murchecer e congelar as rosas.

 Nas flóridas searas ondulosas,
 Cuja folhagem brilha fosforeada,
 Passam sombras angélicas, nivosas,
 Lua, Monja da cela constelada.

 Filtros dormentes dão aos lagos quietos,
 Ao mar, ao campo, os sonhos mais secretos,
 Que vão pelo ar, noctâmbulos, pairando...

 Então, ó Monja branca dos espaços,
 Parece que abres para mim os braços,
 Fria, de joelhos, trêmula, rezando... 

Cruz e Sousa
Broquéis

Por Literatura em Série

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