terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Poema Tulipa Real, de Cruz e Sousa


Poema Tulipa Real, de Cruz e Sousa. Seus poemas são marcados pela musicalidade (uso constante de aliterações), pelo individualismo, pelo sensualismo, às vezes pelo desespero, às vezes pelo apaziguamento, além de uma obsessão pela cor branca (Wikipedia) 
Poema Tulipa Real, de Cruz e Sousa




TULIPA REAL


 Carne opulenta, majestosa, fina,
 Do sol gerada nos febris carinhos,
 Há músicas, há cânticos, há vinhos
 Na tua estranha boca sulferina.

 A forma delicada e alabastrina
 Do teu corpo de límpidos arminhos
 Tem a frescura virginal dos linhos
 E da neve polar e cristalina.

 Deslumbramento de luxúria e gozo,
 Vem dessa carne o travo aciduloso
 De um fruto aberto aos tropicais mormaços.

 Teu coração lembra a orgia dos triclínios...
 E os reis dormem bizarros e sanguíneos
 Na seda branca e pulcra dos teus braços. 

Cruz e Sousa
Broquéis

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