terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Poema Vesperal, de Cruz e Sousa

Poema Vesperal, de Cruz e Sousa. Seus poemas são marcados pela musicalidade (uso constante de aliterações), pelo individualismo, pelo sensualismo, às vezes pelo desespero, às vezes pelo apaziguamento, além de uma obsessão pela cor branca (Wikipedia)


Poema Vesperal, de Cruz e Sousa




VESPERAL


 Tardes de ouro para harpas dedilhadas
 Por sacras solenidades
 De catedrais em pompa, iluminadas
 Com rituais majestades.

 Tardes para quebrantos e surdinas
 E salmos virgens e cantos
 De vozes celestiais, de vozes finas
 De surdinas e quebrantos...

 Quando através de altas vidraçarias
 De estilos góticos, graves,
 O sol, no poente, abre tapeçarias,
 Resplandecendo nas naves...

 Tardes augustas, bíblicas, serenas,
 Com silêncio de ascetérios
 E aromas leves, castos, de açucenas
 Nos claros ares sidéreos...

 Tardes de campos repousados, quietos,
 Nos longes emocionantes... 
 De rebanhos saudosos, de secretos
 Desejos vagos, errantes...

 Ó Tardes de Beethoven, de sonatas,
 De um sentimento aéreo e velho...
 Tardes da antiga limpidez das pratas,
 De Epístolas do Evangelho!... 


Cruz e Sousa
Broquéis


Por Literatura em Série

Veja também:


Compartilhe nas Redes Sociais!
compartilhe compartilhe compartilhe compartilhe


Observação:
Ressalvados os casos indicados ao contrário, as obras aqui publicadas tem como fonte material em Domínio Público, sendo obras livres em razão de alguma das hipóteses previstas na Lei de Direitos Autorais Lei Federal nº 9.610/98. Busca-se preservar ao máximo a grafia original. Para mais informações confira os Termos de Uso.


Blog especializado em Literatura com fins educativos. Principais temas abordados: literatura universal, literatura nacional, escritores, poemas literarios, livros e autores da literatura brasileira. Sugerido para elaboração de resumo e resenha.

0 comentários:

Postar um comentário

Tecnologia do Blogger.