quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Afra, de Cruz e Sousa


Afra, de Cruz e Sousa. No aspecto de influências do simbolismo, nota-se uma amálgama que conflui águas do satanismo de Charles Baudelaire ao espiritualismo (Wikipedia)

Afra, de Cruz e Sousa



AFRA


 Ressurges dos mistérios da luxúria,
 Afra, tentada pelos verdes pomos,
 Entre os silfos magnéticos e os gnomos
 Maravilhosos da paixão purpúrea.

 Carne explosiva em pólvoras e fúria
 De desejos pagãos, por entre assomos
 Da virgindade - casquinantes momos
 Rindo da carne já votada à incúria.
 
 Votada cedo ao lânguido abandono,
 Aos mórbidos delíquios como ao sono,
 Do gozo haurindo os venenosos sucos.

 Sonho-te a deusa das lascivas pompas,
 A proclamar, impávida, por trompas,
 Amores mais estéreis que os eunucos! 

Cruz e Sousa
Broquéis

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