domingo, 28 de janeiro de 2018

Judia


Judia, de João da Cruz e Sousa. Com a alcunha de Dante Negro ou Cisne Negro, foi um dos precursores do simbolismo no Brasil.  Segundo Antonio Candido, Cruz e Sousa foi o "único escritor eminente de pura raça negra na literatura brasileira, onde são numerosos os mestiços"

JUDIA


 Ah! Judia! Judia impenitente!
 De erma e de turva região sombria 
 De areia fulva, bárbara, inclemente,
 Numa desolação, chegaste um dia...

 Través o céu mais tórrido, mais quente,
 Onde a luz mais flamívoma radia,
 A voz dos teus, nostálgica, plangente,
 Vibrou, chorou, clamou por ti, Judia!

 Ave de melancólicos mistérios,
 Ruflaste as asas por Azuis siderios,
 Ébria dos vícios célebres que salvam...

 Para alguns corações que ainda te buscam
 És como os sóis que rútilos coruscam
 E a torva terra do deserto escalvam! 

Cruz e Sousa
Broquéis

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