sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Visão da Morte, de Cruz e Sousa

Visão da Morte, de Cruz e Souza. No aspecto de influências do simbolismo, nota-se uma amálgama que conflui águas do satanismo de Charles Baudelaire ao espiritualismo (e dentro desse, ideias budistas e espíritas) ligados tanto a tendências estéticas vigentes como as fases na vida do autor. (Wikipedia)
Visão da Morte, de Cruz e Souza



VISÃO DA MORTE


 Olhos voltados para mim e abertos
 Os braços brancos, os nervosos braços,
 Vens d'espaços estranhos, dos espaços
 Infinitos, intérminos, desertos...

 Do teu perfil os tímidos, incertos
 Traços indefinidos, vagos traços
 Deixam, da luz nos ouros e nos aços,
 Outra luz de que os céus ficam cobertos.

 Deixam nos céus uma outra luz mortuária,
 Uma outra luz de lívidos martírios,
 De agonias, de mágoa funerária...

 E causas febre e horror, frio, delírios,
 Ó Noiva do Sepulcro, solitária,
 Branca e sinistra no clarão dos círios! 

Cruz e Sousa
Broquéis

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