terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

A Linguagem dos Tristes, de Laurindo Rabelo


A Linguagem dos Tristes, de Laurindo Rabelo. Laurindo José da Silva Rabelo foi um médico, professor e poeta romântico brasileiro, patrono na Academia Brasileira de Letras (Wikipedia).





A LINGUAGEM DOS TRISTES


Se houver um ente, que sorvido tenha
Gota a gota o veneno da amargura;
Que nem nos horizontes da esperança
Veja raiar-lhe um dia de ventura;

Se houver um ente, que, dos homens certo,
Neles espere certa a falsidade;
Que veja um laço vil num rir de amores,
Uma traição nos mimos da amizade;

Se houver um ente, que, votado às dores,
Todo com a tristeza desposado,
De cruéis desenganos só nutrido,
Somente males a esperar do fado;

Que venha, acompanhar-me na agonia,
Qu’esta minh’alma, sem cessar, traspassa!
Venha, qu’há muito luto, a ver se encontro
Quem sinta, como eu, tanta desgraça

Venha, sim, que talvez por nosso trato
Uma nova linguagem seja urdida,
Em que possam falar-se os desgraçados,
Que do mundo não seja traduzida.

Por lei inexorável do destino,
Quem gemer à desgraça condenado,
Inda lidando no lidar do mundo,
Há de viver do mundo desterrado.

E em que desterro! Os outros só nos tiram
Os olhos do lugar do nascimento;
A desgraça, porém, do mundo inteiro
Desterra o coração e o pensamento.

Ao menos a linguagem deste exílio 
Mais suportável torne a vida crua;
Tenha ao menos a terra da desgraça
Uma linguagem propriamente sua.

E quem tê-la melhor? Por mais que fale
O sedutor prazer em frase ardente,
Por mais que se perfume e se floreie,
Nunca é, como a dor, tão eloqüente.

Nos fenômenos d’alma o corpo sempre
Do seu modo de obrar diversifica:
Pelas quebras da orgânica fraqueza
A força esp’ritual se multiplica.

Quando, livre, o esp’rito aos céus remonta,
Da Eternidade demandando o norte,
Toda força primeva recobrando —
Tomba a matéria, e cai nas mãos da morte!

Quando o gás do prazer dilata o seio,
A força do sentir dormente acalma;
Quando a pressa da dor o seio aperta,
A força do sentir se expande n’alma.

Assim novas palavras, novas frases,
Nova linguagem, pede o sofrimento;
Porque dobra o sentir, e duplas asas
P’ra vôos duplos colhe o pensamento:

Não, não pode em seus termos quase inertes,
Esse falar comum de cada dia,
Deste duplo sentir, d’idéias duplas,
Exprimir fielmente a valentia.

Enganai-vos, ditosos! Vossas falas,
Anos que falem, nunca dizem tanto,
Quanto num só momento dizer pode
Um suspiro, um soluço, um ai, um pranto.

Eia, pois, tristes! eia!... desde agora
Uma nova linguagem seja urdida,
Em que possam falar-se os desgraçados,
Que do mundo não seja traduzida.

Veja o mundo, de gozos egoísta,
Qu’os tristes nada têm de suas lavras:
Que, orgulhosos na pátria da desdita,
Nem dos ditosos querem as palavras.

Siderações, de Cruz e Sousa

Siderações, de Cruz e Sousa. João da Cruz e Sousa. Seus poemas são marcados pela musicalidade (uso constante de aliterações), pelo individualismo, pelo sensualismo, às vezes pelo desespero, às vezes pelo apaziguamento, além de uma obsessão pela cor branca (Wikipedia).


Siderações, de Cruz e Sousa


SIDERAÇÕES


 Para as Estrelas de cristais gelados
 As ânsias e os desejos vão subindo,
 Galgando azuis e siderais noivados
 De nuvens brancas a amplidão vestindo...

 Num cortejo de cânticos alados
 Os arcanjos, as cítaras ferindo,
 Passam, das vestes nos troféus prateados,
 As asas de ouro finamente abrindo...

 Dos etéreos turíbulos de neve
 Claro incenso aromal, límpido e leve,
 Ondas nevoentas de Visões levanta...

 E as ânsias e os desejos infinitos
 Vão com os arcanjos formulando ritos
 Da Eternidade que nos Astros canta... 


Cruz e Sousa
Broquéis


Poema Sonho Branco, de Cruz e Sousa

Poema Sonho Branco, de Cruz e Sousa. João da Cruz e Sousa. Seus poemas são marcados pela musicalidade (uso constante de aliterações), pelo individualismo, pelo sensualismo, às vezes pelo desespero, às vezes pelo apaziguamento, além de uma obsessão pela cor branca (Wikipedia)


Poema Sonho Branco, de Cruz e Sousa



SONHO BRANCO


 De linho e rosas brancas vais vestido,
 Sonho virgem que cantas no meu peito!...
 És do Luar o claro deus eleito,
 Das estrelas puríssimas nascido.

 Por caminho aromal, enflorescido,
 Alvo, sereno, límpido, direito,
 Segues, radiante, no esplendor perfeito,
 No perfeito esplendor indefinido...

 As aves sonorizam-te o caminho...
 E as vestes frescas, do mais puro linho
 E as rosas brancas dão-te um ar nevado...

 No entanto, Ó Sonho branco de quermesse!
 Nessa alegria em que tu vais, parece
 Que vais infantilmente amortalhado! 


Cruz e Sousa
Broquéis

Cristo de Bronze


Cristo de Bronze, de Cruz e Sousa. Seus poemas são marcados pela musicalidade (uso constante de aliterações), pelo individualismo, pelo sensualismo, às vezes pelo desespero, às vezes pelo apaziguamento (Wikipedia).
Cristo de Bronze


CRISTO DE BRONZE


 Ó Cristos de ouro, de marfim, de prata,
 Cristos ideais, serenos, luminosos,
 Ensangüentados Cristos dolorosos
 Cuja cabeça a Dor e a Luz retrata.

 Ó Cristos de altivez intemerata,
 Ó Cristos de metais estrepitosos 
 Que gritam como os tigres venenosos
 Do desejo carnal que enerva e mata.

 Cristos de pedra, de madeira e barro...
 Ó Cristo humano, estético, bizarro,
 Amortalhado nas fatais injúrias...

 Na rija cruz aspérrima pregado
 Canta o Cristo de bronze do Pecado,
 Ri o Cristo de bronze das luxúrias!... 


Cruz e Sousa

Broquéis

domingo, 25 de fevereiro de 2018

Poema Canção da Formosura

Poema Canção da Formosura.  João da Cruz e Sousa (Nossa Senhora do Desterro, 24 de novembro de 1861 — Curral Novo, 19 de março de 1898) foi um poeta brasileiro. Com a alcunha de Dante Negro ou Cisne Negro, foi um dos precursores do simbolismo no Brasil.

Poema Canção da Formosura

CANÇÃO DA FORMOSURA

 Vinho de sol ideal canta e cintila
 Nos teus olhos, cintila e aos lábios desce,
 Desce a boca cheirosa e a empurpurece,
 Cintila e canta após dentre a pupila.

 Sobe, cantando, à limpidez tranqüila
 Da tu'alma estrelada e resplandece,
 Canta de novo e na doirada messe
 Do teu amor se perpetua e trila...

 Canta e te alaga e se derrama e alaga...
 Num rio de ouro, iriante, se propaga
 Na tua carne alabastrina e pura.

 Cintila e canta, na canção das cores,
 Na harmonia dos astros sonhadores,
 A Canção imortal da Formosura! 


Poema Torre de Ouro, de Cruz e Sousa

Poema Torre de Ouro, de Cruz e Sousa. Segundo Antonio Candido, Cruz e Sousa foi o "único escritor eminente de pura raça negra na literatura brasileira, onde são numerosos os mestiços" (Wikipedia).


Poema Torre de Ouro, de Cruz e Sousa




TORRE DE OURO


 Desta torre desfraldam-se altaneiras,
 Por sóis de céus imensos broqueladas,
 Bandeiras reais, do azul das madrugadas
 E do íris flamejante das poncheiras.

 As torres de outras regiões primeiras
 No Amor, nas Glórias vãs arrebatadas,
 Não elevam mais alto, desfraldadas,
 Bravas, triunfantes, imortais bandeiras.

 São pavilhões das hostes fugitivas,
 Das guerras acres, sanguinárias, vivas,
 Da luta que os Espíritos ufana.

 Estandartes heróicos, palpitantes,
 Vendo em marcha passar aniquilantes
 As torvas catapultas do Nirvana! 


Cruz e Sousa
Broquéis


Lésbia, de Cruz e Sousa


Lésbia, de Cruz e Sousa. Segundo Antonio Candido, Cruz e Sousa foi o "único escritor eminente de pura raça negra na literatura brasileira, onde são numerosos os mestiços".[Wikipedia]


Lésbia, de Cruz e Sousa


LÉSBIA


 Cróton selvagem, tinhorão lascivo,
 Planta mortal, carnívora, sangrenta,
 Da tua carne báquica rebenta
 A vermelha explosão de um sangue vivo.

 Nesse lábio mordente e convulsivo,
 Ri, ri risadas de expressão violenta 
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 O Amor, trágico e triste, e passa, lenta,
 A morte, o espasmo gélido, aflitivo...

 Lésbia nervosa, fascinante e doente,
 Cruel e demoníaca serpente
 Das flamejantes atrações do gozo.

 Dos teus seios acídulos, amargos,
 Fluem capros aromas e os letargos,
 Os ópios de um luar tuberculoso...


Cruz e Sousa
Broquéis

sábado, 24 de fevereiro de 2018

Poema Carnal e Místico

Poema Carnal e Místico. João da Cruz e Sousa no aspecto de influências do simbolismo, nota-se uma amálgama que conflui águas do satanismo de Charles Baudelaire ao espiritualismo (e dentro desse, ideias budistas e espíritas) ligados tanto a tendências estéticas vigentes como as fases na vida do autor (Wikipedia).


Poema Carnal e Místico




CARNAL E MÍSTICO



 Pelas regiões tenuíssimas da bruma
 Vagam as Virgens e as Estrelas raras...
 Como que o leve aroma das searas
 Todo o horizonte em derredor perfuma.

 Numa evaporação de branca espuma
 Vão diluindo as perspectivas claras...
 Com brilhos crus e fúlgidos de tiaras
 As Estrelas apagam-se uma a uma.

 E então, na treva, em místicas dormências,
 Desfila, com sidéreas lactescências,
 Das Virgens o sonâmbulo cortejo...

 Ó Formas vagas, nebulosidades!
 Essência das eternas virgindades!
 Ó intensas quimeras do Desejo...


Cruz e Sousa
Broquéis

A Dor

A Dor, de Cruz e Sousa. Nas obras de João da Cruz e Sousa é certo que encontram-se muitas referências à cor branca, assim como à transparência, à translucidez, à nebulosidade e aos brilhos, e a muitas outras cores, todas sempre presentes em seus versos (Wikipedia)



A Dor, de Cruz e Sousa.


A DOR

 Torva Babel das lágrimas, dos gritos,
 Dos soluços, dos ais, dos longos brados,
 A Dor galgou os mundos ignorados,
 Os mais remotos, vagos infinitos.

 Lembrando as religiões, lembrando os ritos,
 Avassalara os povos condenados,
 Pela treva, no horror, desesperados,
 Na convulsão de Tântalos aflitos.

 Por buzinas e trompas assoprando
 As gerações vão todas proclamando
 A grande Dor aos frígidos espaços...

 E assim parecem, pelos tempos mudos,
 Raças de Prometeus titânios, rudos,
 Brutos e colossais, torcendo os braços! 


Cruz e Sousa
Broquéis


Poema Encarnação, de Cruz e Sousa

Poema Encarnação, de Cruz e Sousa. Segundo o site Wikipedia No aspecto de influências do simbolismo, nota-se uma amálgama que conflui águas do satanismo de Charles Baudelaire ao espiritualismo (e dentro desse, ideias budistas e espíritas) ligados tanto a tendências estéticas vigentes como as fases na vida do autor.


Poema Encarnação, de Cruz e Sousa





ENCARNAÇÃO


 Carnais, sejam carnais tantos desejos,
 Carnais, sejam carnais tantos anseios,
 Palpitações e frêmitos e enleios,
 Das harpas da emoção tantos arpejos...

 Sonhos, que vão, por trêmulos adejos,
 À noite, ao luar, intumescer os seios
 Lácteos, de finos e azulados veios
 De virgindade, de pudor, de pejos...

 Sejam carnais todos os sonhos brumos
 De estranhos, vagos, estrelados rumos
 Onde as Visões do amor dormem geladas...

 Sonhos, palpitações, desejos e ânsias
 Formem, com claridades e fragrâncias,
 A encarnação das lívidas Amadas!


Cruz e Sousa
Broquéis

Sonhador

Poema Sonhador, de Cruz e Sousa.  João da Cruz e Sousa (Nossa Senhora do Desterro, 24 de novembro de 1861 — Curral Novo, 19 de março de 1898) foi um poeta brasileiro. Com a alcunha de Dante Negro ou Cisne Negro, foi um dos precursores do simbolismo no Brasil. (Wikipedia)


Poema Sonhador, de Cruz e Sousa.


SONHADOR


 Por sóis, por belos sóis alvissareiros,
 Nos troféus do teu Sonho irás cantando,
 As púrpuras romanas arrastando,
 Engrinaldado de imortais loureiros.

 Nobre guerreiro audaz entre os guerreiros,
 Das Idéias as lanças sopesando,
 Verás, a pouco e pouco, desfilando
 Todos os teus desejos condoreiros...

 Imaculado, sobre o lodo imundo,
 Há de subir, com as vivas castidades,
 Das tuas glórias o clarão profundo.

 Há de subir, além de eternidades,
 Diante do torvo crocitar do mundo,
 Para o branco Sacrário das Saudades! 


Cruz e Sousa
Broquéis

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Poema Lua, de Cruz e Sousa

Poema Lua, de Cruz e Sousa. Seus poemas são marcados pela musicalidade (uso constante de aliterações), pelo individualismo, pelo sensualismo, às vezes pelo desespero, às vezes pelo apaziguamento, além de uma obsessão pela cor branca (Wikipedia)


Poema Lua, de Cruz e Sousa




LUA


 Clâmides frescas, de brancuras frias, 
 Finíssimas dalmáticas de neve
 Vestem as longas árvores sombrias,
 Surgindo a Lua nebulosa e leve...

 Névoas e névoas frígidas ondulam...
 Alagam lácteos e fulgentes rios
 Que na enluarada refração tremulam
 Dentre fosforescências, calafrios...

 E ondulam névoas, cetinosas rendas
 De virginais, de prônubas alvuras...
 Vagam baladas e visões e lendas
 No flórido noivado das Alturas...

 E fria, fluente, frouxa claridade
 Flutua como as brumas de um letargo...
 E erra no espaço, em toda a imensidade,
 Um sonho doente, cilicioso, amargo...

 Da vastidão dos páramos serenos,
 Das siderais abóbadas cerúleas
 Cai a luz em antífonas, em trenos,
 Em misticismos, orações e dúlias...

 E entre os marfins e as pratas diluídas
 Dos lânguidos clarões tristes e enfermos,
 Com grinaldas de roxas margaridas
 Vagam as Virgens de cismares ermos...

 Cabelos torrenciais e dolorosos
 Bóiam nas ondas dos etéreos gelos.
 E os corpos passam níveos, luminosos,
 Nas ondas do luar e dos cabelos...

 Vagam sombras gentis de mortas, vagam
 Em grandes procissões, em grandes alas,
 Dentre as auréolas, os clarões que alagam,
 Opulências de pérolas e opalas.

 E a Lua vai clorótica fulgindo
 Nos seus alperces etereais e brancos,
 A luz gelada e pálida diluindo
 Das serranias pelos largos flancos... 

 Ó Lua das magnólias e dos lírios!
 Geleira sideral entre as geleiras!
 Tens a tristeza mórbida dos círios
 E a lividez da chama das poncheiras!

 Quando ressurges, quando brilhas e amas,
 Quando de luzes a amplidão constelas,
 Com os fulgores glaciais que tu derramas
 Dás febre e frio, dás nevrose, gelas...

 A tua dor cristalizou-se outrora
 Na dor profunda mais dilacerada
 E das dores estranhas, ó Astro, agora,
 És a suprema Dor cristalizada!... 


Cruz e Sousa
Broquéis

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Lubricidade, de Cruz e Sousa

Lubricidade, de Cruz e Sousa. Segundo Antonio Candido, Cruz e Sousa foi o "único escritor eminente de pura raça negra na literatura brasileira, onde são numerosos os mestiços". (Wikipedia)



Lubricidade, de Cruz e Sousa


LUBRICIDADE


 Quisera ser a serpe venenosa
 Que dá-te medo e dá-te pesadelos
 Para envolver-me, ó Flor maravilhosa,
 Nos flavos turbilhões dos teus cabelos.

 Quisera ser a serpe veludosa
 Para, enroscada em múltiplos novelos,
 Saltar-te aos seios de fluidez cheirosa
 E babujá-los e depois mordê-los...

 Talvez que o sangue impuro e flamejante
 Do teu lânguido corpo de bacante,
 Da langue ondulação de águas do Reno

 Estranhamente se purificasse... 
 Pois que um veneno de áspide vorace
 Deve ser morto com igual veneno... 


Cruz e Sousa
Broquéis

Beleza Morta, de Cruz e Sousa



Beleza Morta, de Cruz e Sousa. No aspecto de influências do simbolismo,[6] nota-se uma amálgama que conflui águas do satanismo de Charles Baudelaire ao espiritualismo (Wikipedia)


Beleza Morta, de Cruz e Sousa




BELEZA MORTA


 De leve, louro e enlanguescido helianto
 Tens a flórea dolência contristada...
 Há no teu riso amargo um certo encanto
 De antiga formosura destronada.

 No corpo, de um letárgico quebranto,
 Corpo de essência fina, delicada,
 Sente-se ainda o harmonioso canto
 Da carne virginal, clara e rosada.

 Sente-se o canto errante, as harmonias
 Quase apagadas, vagas, fugidias
 E uns restos de clarão de Estrela acesa...

 Como que ainda os derradeiros haustos
 De opulências, de pompas e de faustos,
 As relíquias saudosas da beleza


Cruz e Sousa
Broquéis

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

O VIZIR, de Fagundes Varella


O VIZIR, de Fagundes Varella. Poeta romântico e boêmio inveterado, Fagundes Varella foi um dos maiores expoentes da poesia brasileira, em seu tempo.


O VIZIR, de Fagundes Varella


O VIZIR


- Não derribes meus cedros! murmurava
O gênio da floresta aparecendo
Adiante de um vizir, senão eu juro
Punir-te rijamente! E no entanto
O vizir derribou a santa selva!
Alguns anos depois foi condenado
Ao cutelo do algoz. Quando encostava
A cabeça febril no duro cepo,
Recuou aterrado: - “Eternos deuses!
Este cepo é de cedro!” E sobre a terra
A cabeça rolou banhada em sangue! 


Fagundes Varella

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