terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Beleza Morta, de Cruz e Sousa



Beleza Morta, de Cruz e Sousa. No aspecto de influências do simbolismo,[6] nota-se uma amálgama que conflui águas do satanismo de Charles Baudelaire ao espiritualismo (Wikipedia)

Beleza Morta, de Cruz e Sousa



BELEZA MORTA


 De leve, louro e enlanguescido helianto
 Tens a flórea dolência contristada...
 Há no teu riso amargo um certo encanto
 De antiga formosura destronada.

 No corpo, de um letárgico quebranto,
 Corpo de essência fina, delicada,
 Sente-se ainda o harmonioso canto
 Da carne virginal, clara e rosada.

 Sente-se o canto errante, as harmonias
 Quase apagadas, vagas, fugidias
 E uns restos de clarão de Estrela acesa...

 Como que ainda os derradeiros haustos
 De opulências, de pompas e de faustos,
 As relíquias saudosas da beleza

Cruz e Sousa
Broquéis

Leia também: Múmia, de Cruz e Sousa

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