terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Lubricidade, de Cruz e Sousa

Lubricidade, de Cruz e Sousa. Segundo Antonio Candido, Cruz e Sousa foi o "único escritor eminente de pura raça negra na literatura brasileira, onde são numerosos os mestiços". (Wikipedia)


Lubricidade, de Cruz e Sousa

LUBRICIDADE


 Quisera ser a serpe venenosa
 Que dá-te medo e dá-te pesadelos
 Para envolver-me, ó Flor maravilhosa,
 Nos flavos turbilhões dos teus cabelos.

 Quisera ser a serpe veludosa
 Para, enroscada em múltiplos novelos,
 Saltar-te aos seios de fluidez cheirosa
 E babujá-los e depois mordê-los...

 Talvez que o sangue impuro e flamejante
 Do teu lânguido corpo de bacante,
 Da langue ondulação de águas do Reno

 Estranhamente se purificasse... 
 Pois que um veneno de áspide vorace
 Deve ser morto com igual veneno... 

Cruz e Sousa
Broquéis

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Top
Sobre | Termos de Uso | Política de Cookies | Política de Privacidade