sábado, 17 de março de 2018

Dinheiro, de Álvares de Azevedo

Dinheiro, de Álvares de Azevedo. Poemas Malditos.


Dinheiro, de Álvares de Azevedo.

D I N H E I R O


Oh! argent! Avec toi on est beau, jeune,
 adoré; on a consideration, honneur,
qualités, vertus. Quand on n'a point d'argent,
on est dans la dépendance de toutes ces
choses et de tout le monde.
CHATEAUBRIAND



Sem ele não há cova—quem enterra
Assim gratis a Deo? O batizado
Também custa dinheiro. Quem namora

Sem pagar as pratinhas ao Mercúrio?
Demais, as Dánaes também o adoram.
Quem imprime seus versos, quem passeia,
Quem sobe a Deputado, até Ministro,
Quem é mesmo Eleitor, embora sábio,
Embora gênio, talentosa fronte, Alma
Romana, se não tem dinheiro?
Fora a canalha de vazios bolsos!

O mundo é para todos.... Certamente,
Assim o disse Deus—mas esse texto
Explica-se melhor e doutro modo.
Houve um erro de imprensa no Evangelho:
O mundo é um festim—concordo nisso,
Mas não entra ninguém sem ter as louras.1

Álvares de Azevedo





Por Literatura em Série

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