segunda-feira, 23 de abril de 2018

Poema Pórtico, de Emílio de Meneses

Poema Pórtico, de Emílio de Meneses. foi um jornalista e poeta parnasiano brasileiro, imortal da Academia Brasileira de Letras e mestre dos sonetos satíricos.

Poema Pórtico, de Emílio de Meneses

PÓRTICO


Naquele olhar em que moram meu sonho e guia,
E onde vou procurar tudo que almejo e quero,
Embalde busco a vida. A efêmera alegria
Do viver, não perturba o seu fulgor sincero.

Nada que for terreno e alegre cante ou ria,
Vive nesse altar de onde o bem supremo espero;
Mas há nele o perdão, graças de Ave-Maria,
Prenúncios de além-céu em cada raio austero.

Necrólatras que andais na eterna romaria
Dos túmulos, buscando algum sonho que o fero
Destino arrebatou de voss'alma sombria,

A mim, que sou da Morte, o impenitente Ahasvero,
Vinde, eu vos mostrarei, cantando esta elegia,
Tudo que ainda sonhais, naquele olhar severo.

Emílio de Meneses

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