quinta-feira, 20 de setembro de 2018

3 poemas sobre a morte em Broquéis

3 poemas sobre a morte em Broquéis. Escritor negro brasileiro o poeta Cruz e Sousa (João da Cruz e Souza) foi um escritor brasileiro.  Com a alcunha de Dante Negro ou Cisne Negro, foi um dos precursores do simbolismo no Brasil. (Wikipedia). Nesta postagem você pode conferir três poemas que se referem a morte como tema central estão entre os melhores poemas de cruz e souza.



3 poemas sobre a morte em Broquéis


POST MORTEM


 Quando do amor das Formas inefáveis
 No teu sangue apagar-se a imensa chama,
 Quando os brilhos estranhos e variáveis
 Esmorecerem nos troféus da Fama.

 Quando as níveas Estrelas invioláveis,
 Doce velário que um luar derrama,
 Nas clareiras azuis ilimitáveis
 Clamarem tudo o que o teu Verso clama.

 Já terás para os báratros descido,
 Nos cilícios da Morte revestido,
 Pés e faces e mãos e olhos gelados...

 Mas os teus Sonhos e Visões e Poemas
 Pelo alto ficarão de eras supremas
 Nos relevos do Sol eternizados!

3 poemas sobre a morte em Broquéis.



VISÃO DA MORTE


 Olhos voltados para mim e abertos
 Os braços brancos, os nervosos braços,
 Vens d'espaços estranhos, dos espaços
 Infinitos, intérminos, desertos...

 Do teu perfil os tímidos, incertos
 Traços indefinidos, vagos traços
 Deixam, da luz nos ouros e nos aços,
 Outra luz de que os céus ficam cobertos.

 Deixam nos céus uma outra luz mortuária,
 Uma outra luz de lívidos martírios,
 De agonies, de mágoa funerária...

 E causas febre e horror, frio, delírios,
 Ó Noiva do Sepulcro, solitária,
 Branca e sinistra no clarão dos círios!




NOIVA DA AGONIA


 Trêmula e só, de um túmulo surgindo,
 Aparição dos ermos desolados,
 Trazes na face os frios tons magoados,
 De quem anda por túmulos dormindo...

 A alta cabeça no esplendor, cingindo
 Cabelos de reflexos irisados,
 Por entre aureolas de clarões prateados,
 Lembras o aspecto de um luar diluindo...

 Não és, no entanto, a torva Morte horrenda,
 Atra, sinistra, gélida, tremenda,
 Que as avalanches da Ilusão governa...

 Mas ah! és da Agonia a Noiva triste
 Que os longos braços lívidos abriste
 Para abraçar-me para a Vida eterna!


Ideal para a formação do conceito de morte na literatura brasileira.

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