domingo, 16 de setembro de 2018

5 Poemas de Amor em Poesias Completas

Poesias Completas é uma obra de Laurindo Rabelo que reúne uma série de textos do autor. Nesta seleção separamos cinco poemas do autor com versos lindos e bonitos, embora mantenha-se a escrita original.

5 Poemas de Amor em Poesias Completas


BEIJO DE AMOR


 Laurindo Rabelo
Poesias Completas

Se me queres ver ainda,

Recobra da vida a flor;

Deixa remoçar-me a vida

Um beijo de teu amor.



        De minha vida a ventura

        Teus lábios guardam consigo,

        Dá-me um só beijo e verás

        Se é mentira o que eu te digo.



Como a flor, do sol a um beijo,

Se quiseres, podes ver,

A minh’alma, semimorta,

Num teu beijo reviver.



     De minha vida a ventura, etc.



Só esperá-lo me alenta,

Me conforta o fado meu;

Imagina só por isso

Quanto pode um beijo teu.



       De minha vida a ventura, etc.




Leia também: Lindos versos de paixão na literatura brasileira


O CEGO DE AMOR


 Laurindo Rabelo
Poesias Completas


Pensam que vejo, não vejo,

Não vejo, que cego estou;

De que me servem os olhos,

Se minha luz se apagou?



        Ah! não deixes que me perca

        Nesta imensa escuridão;

        Ó anjo que me cegaste,

        Vem ao menos dar-me a mão.



Ao avistar-te nos olhos

A luz divina senti,

E por perder-te de vista,

A minha vista perdi.



      Ah! não deixes...



Se eu cair, dá-me teus braços,

Dá-me pelo amor de Deus,

Que talvez recobre a vista

Caindo nos braços teus.



       Ah! não deixes...



Veja também: Veja 13 lindos Versos de Amor de Crisálidas


À MINHA MULHER


 Laurindo Rabelo
Poesias Completas



                   Lembranças do nosso amor



Da morte o sopro gelado,

Não me apagando a existência,

No coração com veemência

Sinto seu passado apressado.

Ai quando, bem adorado,

Minha alma daqui se for,

Disfarça teu dissabor,

Resiste à força veemente,

Mas nunca risques da mente

Lembranças do nosso amor.





Nada tenho que deixar-te

De fortuna nem de glória,

Nada me aponta a memória

Que possa morto legar-te;

Se nada deve ficar-te

Mais que saudades e dor,

Bálsamo consolador

À dolorosa ferida

Hão de ser-te nesta vida

Lembranças do nosso amor.



Lembrar um bem adorado

Na dor da saudade ausente,

É mesmo sê-lo presente,

Inda que seja passado.

Ser por ti sempre lembrado,

Como em vida morto for,

Por influxo encantador

Deste mistério profundo,

Hão de ser-te nesse mundo

Lembranças do nosso amor.




Poemas de Amor em Poesias Completas

Leia também: 4 Poemas sobre Saudade na literatura clássica



AMOR-PERFEITO


 Laurindo Rabelo
Poesias Completas


Secou-se a rosa... era rosa;

Flor tão fraca e melindrosa,

Muito não pôde durar.

Exposta a tantos calores,

Embora fossem de amores,

Cedo devia secar.



Porém tu, amor-perfeito,

Tu, nascido, tu afeito

Aos incêndios que amor tem,

Tu que abrasas, tu que inflamas,

Tu que vegetas nas chamas,

Por que secaste também?!



Ah! bem sei. De acesas fráguas

As chamas são tuas águas,

O fogo é água de amor.

Como as rosas se murcharam,

Porque as águas lhes falharam,

Sem fogo murchaste, flor.



É assim, que bem florente

Eras, quando o fogo ardente

De uns olhos que raios são,

Em breve, mas doce prazo,

Te orvalhou naquele vaso

Que, já foi meu coração.



Secaste, porque esse pranto

Que chorei, que choro há tanto,

De todo o fogo apagou.

Triste, sem fogo, sem frágua

Secaste, como sem água,

A triste rosa secou.



Que olhos foram aqueles!

Quando eu mais fiava deles

Meu presente e meu porvir,

Faziam cruéis ensaios

Para matar-me. Eram raios,

Tinham por fim destruir.



Destruíram-me: contudo

Perdôo o pesar agudo,

Perdôo a pungente dor

Que sofri nos meus tormentos,

Pelos felizes momentos

Que me deram nesta flor.



Ai! querido amor-perfeito!

Como vivi satisfeito,

Quando te vi florescer!

Ai! não houve criatura

No prazer e na ventura

Que me pudesse exceder.



Ai! seca flor, de bom grado,

Se tanto pedisse o fado,

Quisera sacrificar

Liberdade e pensamento,

Sangue, vida, movimento,

Luz, olfato, sons e ar.



Só para ver-te florente,

Como quando o fogo ardente,

De uns olhos que raios são,

Em breve, mas doce prazo,

Te orvalhou naquele vaso

Que já foi meu coração.



Leia também: 5 Poemas de Tristeza e Solidão.



AMOR E LÁGRIMAS


 Laurindo Rabelo
Poesias Completas


Se fosse possível na minha alma

Amanhecer um dia da ventura,

Corado por um beijo de donzela

        Ao despontar d’aurora...



Se, Anjo de salvação mandado ao mísero,

Sorrindo, pelo céu jurasse a bela

Fazer-me cada vez por novos beijos

        Mais rubra a cor do dia...



Se fiel companheira em toda parte

Quisesse me seguir, presa comigo,

Como um raio celeste preso a um astro

        A iluminar-lhe o curso...



Se a visse, desdenhosa a mil tesouros,

Só por ter-me, deixá-los e contente

A gabar-me o sabor do pão grosseiro

        Que me alimenta a vida...



Não a crera; e talvez que até julgasse

Tantas provas de amor atroz perfídia,

Se amor me não brilhasse nos seus olhos

       No centro de uma lágrima.



Amor é fogo; o coração que ama

Todo nas suas chamas se evapora,

No rosto se condensa, e chega aos olhos

       Em água convertido.



Que é um riso? — Um prazer. Prisão estreita

De duas almas? — Simpatia apenas:

E os abraços e beijos? — Muitas vezes

         Sustento de lascívia.



Tudo isso diz amor; mas quando? — Quando,

Filho de um doce afeto que se apura

Nos cadinhos da dor, é batizado,

        Num batismo de prantos.



É belo ver-se uns olhos cintilantes,

Acesos em vulcões de fogo ignoto,

A dardejar faíscas invisíveis

      Que os corações abrasam:



É belo ver-se um rosto nacarado

No carmim do prazer: é belo ver-se

Partir fino coral de rubros lábios

     Um sim d’alma saído:



Mas em rostos assim amor não fala;

E, se fala, as mais vezes diz mentiras;

E este — sim — que tomamos por verdade

       É escárnio do crente.



Quereis vê-lo sincero? Observai-o

N’açucena de um rosto desmaiado,

Entre os lírios de uns lábios que roxeiam

      Suspiros de agonia:



Nuns olhos, cuja luz crepusculante,

Entre a neve das lágrimas, pareça

Revérbero da alâmpada mortiça

        Do templo da saudade.



Aí podeis lhe crer o que disser-vos,

Podeis segui-lo sem temer um crime;

Que amor, se o pranto lhe borrifa as asas,

Seu vôo ao céu dirige. 



Trata-se de uma seleção ideal para professores incluírem em seu plano de aula e planejamento de ensino, para leitores compulsivos e estudantes em geral.


Fonte
BRASIL. Portal Domínio Público Biblioteca Digital Desenvolvida em Software Livre. MINISTÉRIO  A CULTURA. Fundação Biblioteca Nacional Departamento Nacional do Livro.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Top
Sobre | Termos de Uso | Política de Cookies | Política de Privacidade