Publicidade

domingo, 16 de setembro de 2018

5 Poemas de Poetas do Romantismo no Brasil


Confira nesta postagem publicações de Poetas do Romantismo no Brasil. São textos selecionados de cinco autores diferentes do período romantista. No romantismo artistas e obras representam uma marca da literatura brasileira. Veja alguns textos de poetas do romantismo brasileiro. Interessante para leitores e amantes da literatura clássica, estudantes de ensino médio, ENEM e vestibular.

5 Poemas de Poetas do Romantismo no Brasil



(sem título)

Toda aquela mulher tem a pureza
Que exala o jasmineiro no perfume,
Lampeja seu olhar nos olhos negros
Como em noite d'escuro um vaga-lume...

Que suave moreno o de seu rosto!
A alma parece que seu corpo inflama.
Ilude até que sobre os lábios d’ela
Na cor vermelha tem errante chama....

E quem dirá, meu Deus! que a lira d'alma
Ali não tem um som — nem de falsete!
E sob a imagem de aparente fogo
É frio o coração como um sorvete!

POEMAS IRÔNICOS, VENENOSOS E SARCÁSTICOS
Álvares de Azevedo



Adormecida
Castro Alves


Ses longs cheveux épars la couvrent tout entière
La croix de son collier repose dans sa main,
Comme pour témaigner qu'elle a fait sa prière.
Et qu'elle va la faire en s'éveiliant demain.
A. DE MUSSET

Uma noite eu me lembro... Ela dormia
Numa rede encostada molemente...
Quase aberto o roupão... solto o cabelo
E o pé descalço do tapete rente.

'Stava aberta a janela. Um cheiro agreste
Exalavam as silvas da campina...
E ao longe, num pedaço do horizonte
Via-se a noite plácida e divina.

De um jasmineiro os galhos encurvados,
Indiscretos entravam pela sala,
E de leve oscilando ao tom das auras
Iam na face trêmulos — beijá-la.

Era um quadro celeste!... A cada afago
Mesmo em sonhos a moça estremecia...
Quando ela serenava... a flor beijava-a...
Quando ela ia beijar-lhe... a flor fugia...

Dir-se-ia que naquele doce instante
Brincavam duas cândidas crianças...
A brisa, que agitava as folhas verdes,
Fazia-lhe ondear as negras tranças!

E o ramo ora chegava, ora afastava-se...
Mas quando a via despeitada a meio,
P'ra não zangá-la... sacudia alegre
Uma chuva de pétalas no seio...

Eu, fitando esta cena, repetia
Naquela noite lânguida e sentida:
"Ó flor! — tu és a virgem das campinas!
"Virgem! tu és a flor da minha vida!..."

São Paulo, Novembro de 1868
Castro Alves



(Trecho de Dois Amores)


“Era um dia um mancebo, que ardente
“Pobre vida esquecido vivia;
“E uma virgem formosa, inocente,
“Que outra igual não se viu, não se via.
“Quem separa o ardor da beleza?...
“Um abismo fatal: – a pobreza.” 


Joaquim Manuel de Macedo em Dois Amores


Poemas de Poetas do Romantismo no Brasil




A MULHER
(A C...)



A mulher sem amor é como o inverno,
Como a luz das antélias no deserto,
Como espinheiro de isoladas fragas,
Como das ondas o caminho incerto.

A mulher sem amor é mancenilha
Das ermas plagas sobre o chão crescida,
Basta-lhe à sombra repousar um’hora
Que seu veneno nos corrompe a vida.

De eivado seio no profundo abismo
Paixões repousam num sudário eterno...
Não há canto nem flor, não há perfumes,
A mulher sem amor é como o inverno.

Su’alma é um alaúde desmontado
Onde embalde o cantor procura um hino;
Flor sem aromas, sensitiva morta,
Batel nas ondas a vagar sem tino.

Mas, se um raio do sol tremendo deixa
Do céu nublado a condensada treva,
A mulher amorosa é mais que um anjo,
É um sopro de Deus que tudo eleva!

Como o árabe ardente e sequioso
Que a tenda deixa pela noite escura
E vai no seio de orvalhado lírio
Lamber a medo a divinal frescura,

O poeta a venera no silêncio,
Bebe o pranto celeste que ela chora,
Ouve-lhe os cantos, lhe perfuma a vida...
— A mulher amorosa é como a aurora.
Poemas
Fagundes Varela
S. Paulo — 1861




A FLOR SUSPIRO


Eu amo as flores
Que mudamente
Paixões explicam
Que o peito sente.
Amo a saudade,
O amor-perfeito;
Mas o suspiro
Trago no peito.

A forma esbelta
Termina em ponta,
Como uma lança
Que ao céu remonta.
Assim, minha alma,
Suspiros geras,
Que ferir podem
As mesmas feras.

É sempre triste,
Ensangüentado,
Quer seco morra,
Quer brilhe em prado.
Tais meus suspiros...
Mas não prossigas,
Ninguém se move,
Por mais que digas.

SUSPIROS POÉTICOS E SAUDADES
Domingos José Gonçalves de Magalhães 



Fonte: 
BRASIL. Portal Domínio Público Biblioteca Digital Desenvolvida em Software Livre. Disponível em <http://www.dominiopublico.gov.br/> 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Top
Sobre | Termos de Uso | Política de Cookies | Política de Privacidade