domingo, 16 de setembro de 2018

Poesia Amor-Perfeito

Poesias são fontes de frases de amor que muitas vezes revelam lindas historias de amor. Amor eterno materializado em uma mensagem com versos, palavras, declaração e cenas de amor que se formam na mente do leitor apaixonado. Nesta postagem confira o poema Amor-Perfeito de Laurindo Ribeiro escritor do Romantismo no Brasil.


Poesia Amor-Perfeito

AMOR-PERFEITO

Laurindo Ribeiro
Secou-se a rosa... era rosa;
Flor tão fraca e melindrosa,
Muito não pôde durar.
Exposta a tantos calores,
Embora fossem de amores,
Cedo devia secar.

Porém tu, amor-perfeito,
Tu, nascido, tu afeito
Aos incêndios que amor tem,
Tu que abrasas, tu que inflamas,
Tu que vegetas nas chamas,
Por que secaste também?!

Ah! bem sei. De acesas fráguas
As chamas são tuas águas,
O fogo é água de amor.
Como as rosas se murcharam,
Porque as águas lhes falharam,
Sem fogo murchaste, flor.

É assim, que bem florente
Eras, quando o fogo ardente
De uns olhos que raios são,
Em breve, mas doce prazo,
Te orvalhou naquele vaso
Que, já foi meu coração.

Secaste, porque esse pranto
Que chorei, que choro há tanto,
De todo o fogo apagou.
Triste, sem fogo, sem frágua
Secaste, como sem água,
A triste rosa secou.

Que olhos foram aqueles!
Quando eu mais fiava deles
Meu presente e meu porvir,
Faziam cruéis ensaios
Para matar-me. Eram raios,
Tinham por fim destruir.

Destruíram-me: contudo
Perdôo o pesar agudo,
Perdôo a pungente dor
Que sofri nos meus tormentos,
Pelos felizes momentos
Que me deram nesta flor.

Ai! querido amor-perfeito!
Como vivi satisfeito,
Quando te vi florescer!
Ai! não houve criatura
No prazer e na ventura
Que me pudesse exceder.

Ai! seca flor, de bom grado,
Se tanto pedisse o fado,
Quisera sacrificar
Liberdade e pensamento,
Sangue, vida, movimento,
Luz, olfato, sons e ar.

Só para ver-te florente,
Como quando o fogo ardente,
De uns olhos que raios são,
Em breve, mas doce prazo,
Te orvalhou naquele vaso
Que já foi meu coração.


Segundo o Sr. Antenor Nascentes o título dessa poesia é uma adaptação. Foi publicada na Revista Brasileira, tomo VI de 1880.

Leia também:  5 Poemas de Poetas do Romantismo no Brasil

Fonte:
MEC. Fundação Biblioteca Nacional. Departamento Nacional do Livro Poesias Completas. Laurindo Ribeiro  Biblioteca Digital Domínio Público.  

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