segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Ao Clarão da Lua, de Auta de Souza

Ao Clarão da Lua, de Auta de Souza. Auta de Souza foi uma poetisa brasileira da segunda geração romântica. Quando tinha doze anos, vivenciou nova tragédia: a morte acidental de seu irmão mais novo, Irineu Leão Rodrigues de Sousa, causada pela explosão de um candeeiro (Wikipedia)

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Ao Clarão da Lua, de Auta de Souza


Ao Clarão da Lua

Auta de Souza

A Meu Irmão Eloy

O LÍRIO
Lá nas alturas, modesta e loura,
- Do Céu imenso na face nua -
A lua branca todo o Azul doura...

A NUVEM
Ah! se eu pudesse mudar-me em lua:

O PERFUME
E aquela estrela, tão pequenina
Que mal a gente consegue vê-la,
Como cintila, casta e divina!

A LUA
Ah! quem me dera ser uma estrela!

A NUVEM
O lírio branco, cheio de orvalho,
Invoca a lua no seu martírio
E doce e triste treme no galho...

A ESTRELA
Ah! quem me dera ser como o lírio!

O CÉU
Perfume doce bóia nos ares...
Virá nas asas de um vaga-lume?
Será da terra? Será dos mares?

O ORVALHO
Ah! quem me dera ser o perfume!

O POETA
Terno instrumento suspira ao longe
Numa cadência melodiosa...
Será na cela piedoso monge?

UMA CRIANÇA (sonhando)
Ah! quem me dera ser uma rosa!

A NOITE
O sonho vive dentro em meu seio,
Garrulo e meigo, doce e risonho,
Cheio de luzes, de aurora cheio...

O PERFUME
Ah! quem me dera ser como o Sonho!

A MADRUGADA (ao longe)
Ouvem? As aves já vêm cantando,
As estrelinhas tomam seu véu...
É tempo de irmos também chegando...

O CORAÇÃO
Ah! quem me dera subir ao Céu!

Janeiro de 1897.


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