quarta-feira, 10 de outubro de 2018

Ilusão, de Fagundes Varella.

Ilusão, de Fagundes Varella. Poeta romântico e boêmio inveterado, Fagundes Varella foi um dos maiores expoentes da poesia brasileira, em seu tempo. 

Ilusão, de Fagundes Varella.



ILUSÃO


Sinistro como um fúnebre segredo
Passa o vento do Norte murmurando
 Nos densos pinheirais;
A noite é fria e triste; solitário
Atravesso a cavalo a selva escura
 Entre sombras fatais.

À medida que avanço, os pensamentos
Borbulham-me no cérebro, ferventes,
 Como as ondas do mar,
E me arrastam consigo, alucinado,
À casa da formosa criatura
 De meu doido cismar. 

Latem os cães; as portas se franqueiam
Rangendo sobre os quícios; os criados
 Acordem pressurosos;
Subo ligeiro a longa escadaria,
Fazendo retinir minhas esporas
 Sobre os degraus lustrosos.

No seu vasto salão iluminado,
Suavemente repousando o seio
 Entre sedas e flores,
Toda de branco, engrinaldada a fronte,
Ela me espera, a linda soberana
 De meus santos amores.

Corro a seus braços trêmulo, incendido
De febre e de paixão... A noite é negra,
 Ruge o vento no mato;
Os pinheiros se inclinam, murmurando:
- Onde vai este pobre cavaleiro
 Com seu sonho insensato?.

Fagundes Varella

Leia também: Não te esqueças de mim

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