quinta-feira, 2 de maio de 2019

AMOR ALGÉBRICO, de Euclides da Cunha

AMOR ALGÉBRICO, de Euclides da Cunha


AMOR ALGÉBRICO

[Título anterior: "Álgebra lírica"]


Acabo de estudar _ da ciência fria e vã,
O gelo, o gelo atroz me gela ainda a mente,
Acabo de arrancar a fronte minha ardente
Das páginas cruéis de um livro de Bertrand.

Bem triste e bem cruel decerto foi o ente
Que este Saara atroz _ sem aura, sem manhã,
A Álgebra criou _ a mente, a alma mais sã
Nela vacila e cai, sem um sonho virente.

Acabo de estudar e pálido, cansado,
Dumas dez equações os véus hei arrancado,
Estou cheio de 'spleen', cheio de tédio e giz.

É tempo, é tempo pois de, trêmulo e amoroso,
Ir dela descansar no seio venturoso
E achar do seu olhar o luminoso X.

[1884]

AMOR ALGÉBRICO, de Euclides da Cunha


Fonte
Domínio Público
Por Literatura em Série

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