quinta-feira, 2 de maio de 2019

Estâncias, poema de Euclides da Cunha

Estâncias, poema de Euclides da Cunha


ESTÂNCIAS [Publicado em "Revista da Família Acadêmica", Rio de Janeiro, out. 1888.]
XII
Les beaux yeux sauvent les beaux vers!...
V. Hugo

Meu pobre coração tão cedo aniquilado
Na ardência das paixões _ ó pálida criança _
Revive à doce luz do teu olhar magoado

E cheio de ilusões, de crenças e esperança
Faz o castelo ideal das louras utopias
_ Com os brilhos desse olhar e o ouro de tua trança! _

*
Quando sobre as sombrias
Ondas _ vasto o luar esplêndido se espalma
De todo o seu negror, arranca as ardentias

De teus olhos assim à luz divina e calma
Dimanam _ cintilando _ as ilusões e os versos
Das sombras de minh'alma...

E sonho e canto e rio e me deslumbro... imersos
_ No místico luar que sobre mim derramas _
Fulguram como sóis meus ideais dispersos!...

Fulguram como sóis _ entre sonoras flamas
Partindo no meu peito a tétrica penumbra
E o silêncio fatal de dolorosos dramas...

E tudo hoje ante mim tem luz, tem voz _ deslumbra _
Pois _ tal como dos sóis a claridade instila
De cada um ideal _ uma canção ressumbra _
E em cada uma canção _ o teu olhar cintila...
[São Paulo, jan. 1888]

Estâncias, poema de Euclides da Cunha


Fonte
Domínio Público
Por Literatura em Série

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