sexta-feira, 24 de maio de 2019

NÃO ME DEIXES, de Gonçalves Dias


NÃO ME DEIXES


Debruçada nas águas dum regato
               A flor dizia em vão
A corrente, onde bela se mirava...
            “Ai, não me deixes, não!

“Comigo fica ou leva-me contigo”
           “Dos mares à amplidão,
“Límpido ou turvo, te amarei constante
          “Mas não me deixes, não!”

E a corrente passava, novas águas
        Após as outras vão;
E a flor sempre a dizer curva na fonte:
       “Ai, não me deixes, não!”

E das águas que fogem incessantes
         À eterna sucessão
Dizia sempre a flor, e sempre embalde:
         “Ai, não me deixes, não!”

Por fim desfalecida e a cor murchada,
         Quase a lamber o chão,
Buscava inda a corrente por dizer-lhe
         Que a não deixasse, não.

A corrente impiedosa a flor enleia,
           Leva-a do seu torrão;
A afundar-se dizia a pobrezinha:
          “Não me deixaste, não!”


Gonçalves Dias
Cantos Novos

não me deixes, gonçalves dias

Fonte



Por Literatura em Série

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