sexta-feira, 24 de maio de 2019

ZULMIRA, de Gonçalves Dias

ZULMIRA


Sonhara-te eu na veiga de Granada,
Tapetada de flores e verdura,
Onde o Darro e Xenil no lento giro
        Volvem a linfa pura.

Ali te vejo em leda comitiva
Dos gentis cavaleiros do oriente,
Quando, deposta a malha do combate,
Vestem da paz a seda reluzente.

Ali te vejo num balcão sentada,
Grande preço da maura arquitetura,
Pejando as asas das noturnas brisas
          Dum canto de ternura.

Ali te vejo, sim; mas mais me agrada
O que se m’afigura noutro instante,
Ver-te em vistosa tenda d’ouro e sedas,
Levantada no dorso do elefante.

E em roda, ao largo, o séqüito pomposo
D’enucos a teu gesto vacilantes
Em cujas fontes negras se destacam
          Alvíssimos turbantes.

E pergunto quem és? – Então me dizem
Ciosos de guardar o seu tesouro,
Nome tão doce aos lábios, que parece
Escever-se em cetim com letras d’ouro. 

Gonçalves Dias
Cantos Novos


Fonte


Por Literatura em Série

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