segunda-feira, 11 de novembro de 2019

Poemas para trabalhar em sala de aula.

 Poemas para trabalhar em sala de aula. Sobre a morte de José do patrocínio. Emílio Nunes Correia de Meneses (Curitiba, 4 de julho de 1866 — Rio de Janeiro, 6 de junho de 1918) foi um jornalista e poeta parnasiano brasileiro, imortal da Academia Brasileira de Letras e mestre dos sonetos satíricos.

Poemas para trabalhar em sala de aula | Emílio Meneses | Literatura Brasileira


SOBRE A MORTE DE JOSÉ DO PATROCÍNIO

I

Crestada ao sol de atroz verão, pendia
A tulipa do Sonho e do Talento.
Mas quem da rara flor perto sabia
Que ela soltava o derradeiro alento?

Por que motivo hoje é tão claro o dia
E anda no céu este deslumbramento?
Da Natureza, oh! Trágica ironia!
- A terra em luto e em gala o Firmamento? –

É que Tu, mais ao céu que à terra inteira,
Estendias teu mágico domínio!
Águia pairando à cérula fronteira!

Não te queria o céu ver em declínio,
E se te chora a pátri brasileira,
Ele em pompas te aguarda, Patrocínio!

II

Hoje, afinal a Terra reconquista
Todo o seu grande e maternal direito,
Recebendo em seu seio o Filho Eleito,
- O, da palavra, Poderoso Artista!

Que o nunca repousado Jornalista
Tenha repouso, enfim, no eterno leito!
E aos funerais de um Justo e de um Perfeito,
O mundo inteiro comovido assista!...

Ninguém mais rico em gênio, nem mais nobre.
Entanto, Esse que baixa à sepultura,
É um nababo que morre humilde e pobre!

Negro feito da essência da brancura,
Esse que a Terra hoje em seu seio cobre,
Sóis porjeva pela pele escura!

Emílio de Meneses



Poemas sobre a Morte - Campo Santo - Emílio de Meneses. foi um jornalista e poeta parnasiano brasileiro, imortal da Academia Brasileira de Letras e mestre dos sonetos satíricos.

Campo Santo - Poemas sobre a Morte

CAMPO SANTO


Eis-me afinal de novo entre os meus bons convivas,
Só com meus sonhos, só, com a minha saudade,
E as mortas ilusões e ilusões redivivas
De que o morto passado a alma toda me invade.

Porque se me hão de impor, fortes e decisivas,
As descrenças dos que, sem fé, sem caridade,
Sem esperança, vêm dessas alternativas
De mal fingido amor e fingida piedade?

Sinto-me preso aqui. Entre angústias me envolvo,
- Esfinge que se envolve entre os arcais da Líbia -
Mas o fatal problema entre audácias resolvo:

Alma! que importa a dor que te devora? Exibe-a
Ante a morte que em seus tentáculos de polvo
Mói crânio contra crânio e tíbia contra tíbia!

Emílio Meneses


Funeral de um Lyrio. Poemas sobre a Morte, de Emílio Meneses. Autor de versos mordazes, eivados de críticas das quais não escapavam os políticos da época, mestre dos sonetos, Emílio de Meneses é portador de uma tradição - iniciada com o Brasil, em Gregório de Matos.(Wikipedia)

Funeral de um Lyrio | Poemas sobre a Morte

FUNERAL DE UM LYRIO


À angelical memória de Judith Barros

Faces brancas que outrora os rosais da saúde
Coloriram de um tom de púrpura e de opala,
E o sol que vive à flor de cada juventude
Aureamente aureolou de uma aurora de gala;

Boca que o leve odor do sonho e da virtude
Trescalava ao soltar os violinos da fala,
Olhos! - astros no brilho e noite na amplitude,
Tudo, enfim, que era dela hoje a morte avassala!

Dos olhos resta a noite, - o amplo olhar apagado,-
A boca se calou na sombra e no mysterio,
E ela as faces velou no lúgubre noivado.

Virgem morta! a envolvê-la em seu leito funéreo,
Só tem ela o palor de um mármore inundado,
Da lividez do luar dentro de um cemitério!...


Emílio de Meneses


Poema Pórtico, de Emílio de Meneses. foi um jornalista e poeta parnasiano brasileiro, imortal da Academia Brasileira de Letras e mestre dos sonetos satíricos.


PÓRTICO


Naquele olhar em que moram meu sonho e guia,

E onde vou procurar tudo que almejo e quero,
Embalde busco a vida. A efêmera alegria
Do viver, não perturba o seu fulgor sincero.



Nada que for terreno e alegre cante ou ria,

Vive nesse altar de onde o bem supremo espero;
Mas há nele o perdão, graças de Ave-Maria,
Prenúncios de além-céu em cada raio austero.



Necrólatras que andais na eterna romaria

Dos túmulos, buscando algum sonho que o fero
Destino arrebatou de voss'alma sombria,



A mim, que sou da Morte, o impenitente Ahasvero,

Vinde, eu vos mostrarei, cantando esta elegia,
Tudo que ainda sonhais, naquele olhar severo.

Emílio de Meneses


No Gólgota, de Emílio Nunes Correia de Meneses foi um jornalista e poeta parnasiano brasileiro, imortal da Academia Brasileira de Letras e mestre dos sonetos satíricos. Para Glauco Mattoso, o poeta paranaense é o principal poeta satírico brasileiro após Gregório de Mattos. (Wikipedia)

No Gólgota, de Emílio Meneses

NO GÓLGOTA


I

"-Para atenuar o horror desta vida sem tréguas,

Sondo-a e busco entendê-la, arcano por arcano.
Para que as más paixões te não sigam, carrego-as
Sobre os frágeis e vis ombros de humilde e humano.



As dores que este sofre e aquele sofre, rego-as

Só do meu pranto, só do meu sangue espartano." –
E assim falando o Poeta, a voz, léguas e léguas,
Por terra e céus se ouviu num clangor soberano.



Mas tudo emudeceu ante o voto supremo...

E nem um Cireneu ao novo Cristo: e a carga,
Ele a leva, a cantar, de um extremo a outro extremo!



E oh! Poeta! O mundo só te dá para tão larga,

Missão, diante da qual também arquejo e tremo,
A dor que mais te dói e o fel que mais te amarga.



II



Rugem-te em derredor os Fariseus e Escribas

E a alma humana moderna – essa nova Aquerusa
De pauis marginais e pestilentes ribas –
Busca, embalde, afogar-te a imorredoura Musa.



Grandiosa ou meiga ou pura, uma idéia que exibas

Irritas a multidão que raivosa te acusa.
Mas do Outeiro da Luz a que afinal arribas,
Hás de vê-la a teus pés deslumbradas e confusa.



Tu, cujo verso em forma e em colorido assume

Revelos de Cellini ou tintas de Correggio,
Quer eleves o amor, quer exaltes o ciúme,



Sofre e sangra por teu sonho de ideal. Inveje-o

Embora, o mundo vil! Todo o teu ser resume,
Na plenitude astral daquele sonho egrégio!...



III



Do sonho que te aclara o luminoso espectro,

Cor a cor, queres dar na cambiante da rima.
Lira d’oiro entre mãos, a desferi-la ao plectro,
Verso a verso vais ter do teu Gólgota acima.



Lapidário tenaz, no tórculo do metro

Premes a forma e a forma entre os teus versos prima;
Passo a passo eu te sigo e esse abysmo penetro,
A cujo centro, em fogo, o teu estro se anima.



Quer tenhas sobre ti bênçãos que o céu reparte,

Ou tenhas o que sofro, examino e contemplo,
- Venhas de tu um Paul ou de algum templo de arte, -



Deves sempre seguir o fatídico exemplo:

Para que o mundo vil possa um dia adorar-te
É preciso enxotar os vendilhões do Templo.



IV



Se além de um Sinedrim de inúmeros Caifazes

Cuja falsa noção, do sonho de seqüestra;
Se do lenho, apesar, que sobre os ombros trazes,
Nessa face divina Ahasvero espalma a destra;



Se não gozas em vida essas glórias falazes

Em cujo meio vil a alma dos vis se amestra,
Tens em compensação, dos teus versos audazes,
Vibrando eternamente, a formidanda orquestra.



Para te alvorecer a existência sombria,

Tiveste, no Jordão, da água lustra a cena
Cuja recordação na alma humana irradia,



E atingiste os dois graus de ventura terrena;

Sugaste ao nascimento o seio de Maria,
E do cimo da Cruz, vês o de Madalena!...



V



Que importa que Adriano em profanosa cena

Chegue ao Gólgota e insulte a tua catacumba?
Após ele terás a imperatriz Helena,
Quer triunfe o teu estro ou teu estro sucumba.



Se sofres do martírio as dores, pena a pena,

O clangor do teu verso entre glórias retumba.
- Que te importa sofrer se a tortura é pequena
Ante o peso com que teu verbo as almas chumba?



Seja o teu tribunal de cátedra ou de exédra;

Tenha o teu leito embora um cravo em cada fulcro,
Sabes que no porvir somente o gênio medra.



Certo, resplenderá teu espírito pulchro,

E, ao tombar sobre ti da tumba a horrenda pedra,
Todos irão beijar o teu Santo Sepulchro.



VI



Que vale teres tido, a iniqüidade humana,

Escribas, fariseus, Cartáfilos e Herodes?
Eles só podem ver pela Santa Semana
O quanto a alma dos bons pelo teu bom acordes.



Redres a cepa sempre, e sempre a rama podes

Dessa Vinha de Fé de onde o teu sangue emana,
E ela viverá nos psalmos e nas odes
Que te ouvem desferir à lyra soberana.



Catharma resplendente o teu martyrio esvurma

Luzes, sóis e não pus, quer o gênio apostrofes,
quer do gênio em teu leito um gênio amigo durma.



Hás de enfim ressurgir, sonhes ou filososfes,

E ante, dos guardas teus, a laucinada turma,
Escalarás o céu num resplendor de Estrofes!...

Emílio de Meneses




Por Literatura em Série

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